UNITINERANTE: UNIVERSIDADE ITINERANTE INTERNACIONAL PELOS DIREITOS HUMANOS E DA NATUREZA, PARA A PAZ E O BEM VIVER.

CONSTRUINDO O PROJETO DA UNITINERANTE – ALGUNS DESAFIOS DESDE SEUS OBJETIVOS E SUAS PRÁTICAS EM ANDAMENTO

Aspectos gerais:
A proposta da criação da UNITINERANTE, a partir do que já se está construindo no interior das práticas e princípios da Rede Internacional CASLA-CEPIAL segue as seguintes orientações conceituais e se traduz em experiências que, desde seus ensinamentos práticos, permitem ir tecendo um desenho com características plurais, dinâmicas e abertas para absorver novas sugestões e complementaridades.

Brevemente, podemos recordar alguns desses fundamentos, a partir daquilo que constitui seu documento básico enviado para pesquisadores universitários, técnicos de instituições públicas, estudantes, lideranças comunitárias e representantes de organizações sociais e da esfera estatal (ministério público). Destaca-se aqui o importante apoio do Ministério Público Federal (MPF-PR) e Estadual  do Paraná (CAOPMA e CAOP):

– Trata-se de um projeto que busca promover a colaboração entre dezenas de universidades, organizações sociais e comunitárias, de caráter local, regional, nacional e internacional, com forte ênfase, mas não exclusivamente, na América Latina.
– Caracteriza-se por ações transversais, apoiadas nos seguintes aspectos: Inovação e transferência de tecnologias sociais; Empoderamento local; Internacionalização de suas atividades, mediante a cooperação e as trocas com agentes congêneres.
– Suas principais áreas temáticas de atuação: Saúde e Alimentação; Desenvolvimento sócio-ambiental e territorial; Educação, Cultura e empoderamento dos sujeitos comunitários e dos pesquisadores e agentes públicos; Economia Social (solidária).

  • Basicamente, suas atividades buscam alcançar em diferentes escalas espaciais uma forma alternativa de desenvolvimento social, em base a  objetivos indissociáveis entre pesquisa aplicada, formação pedagógica dos atores envolvidos nos diversos projetos de desenvolvimento.

METODOLOGIA DA UNIITINEANTE

– Para definir o escopo dos projetos aplicados, é fundamental iniciar com a consulta às comunidades-alvo, iniciando-se assim, na prática, um diálogo participativo e que inclui, estrategicamente, a construção de um diálogo de saberes entre os conhecimentos locais (vernaculares) e os conhecimentos academicamente constituídos (científicos). Inicialmente, esse diálogo necessita ser consolidado por meio da seguinte ação compartilhada entre os atores envolvidos no projeto, de tal maneira que o resultado obtido por meio do diagnóstico inicial, corresponda às informações obtidas pelos informantes locais e traduzidas simultaneamente em linguagem do código acadêmico das disciplinas envolvidas que devem obedecer à uma metodologia inspirada na chamada prática científica pós disciplinar ou pós-normal da multi, inter e transdisciplinaridade. Esta atividade inicial dos diagnósticos participativos corresponde à cada especificidade sócio-cultural e territorial: DRP (Diagnóstico Rural Participativo); DUP (Diagnóstico Urbano Participativo); DCP (Diagnóstico Costeiro Participativo); DPO (Diagnóstico de Populações Originárias – indígenas); DPT (Diagnóstico de Populações Tradicionais).


Aspectos Organizacionais e Institucionalização da UNITINERANTE:

Os princípios e fundamentos do funcionamento da UNITINERANTE constituem um importante aspecto de sua existência e continuidade, uma vez que envolvem situações e condições as mais diversas e que dependem de uma ação negociada e coordenada entre os agentes envolvidos. Certamente, para que as ações possam ter visibilidade, organicidade e praticidade, será necessário operar com uma dinâmica complementar entre ações centralizadas (em seus aspectos operacionais) e descentralizadas (para a execução das múltiplas ações em diferentes locais). Essa dinâmica em rede é fundamental para evitar, de um lado, a burocratização e inibição de iniciativas e de outro, uma fragmentação desconectada da rede UNITINERANTE. 
Por sua vez, requer-se de um Regimento Interno construído em conjunto com os participantes da rede, com representatividade compartilhada a partir das atividades de ensino, pesquisa e extensão existentes em cada uma das universidades parceiras. 
Como a propriedade Intelectual da proposta da UNITINERANTE nasce da Rede Internacional Casla-Cepial, sob a coordenação geral da Casa Latino-americana (CASLA), deve-se pensar em uma gestão compartilhada, mas também concentrada em instrumentos técnico-organizacionais, capazes de implementar o organograma e fluxograma dessas atividades.


A importância das experiências em andamento em seu momento inicial da UNITINERANTE

Constata-se que é muito importante a elaboração de um projeto que tenha uma visão estratégica dos objetivos da UNITINERANTE, baseada em seus princípios de ação compartilhada. Reconhece-se assim que a elaboração de um projeto é condição necessária mas não suficiente para a continuidade e êxito nas ações empreendidas.
Neste sentido, é muito importante respeitar a realidade de cada um(a) do(a)s parceiro(a)s envolvido(a)s na proposta, pois é dessa especificidade e singularidade que se deverá desenhar um plano estratégico da UNITINERANTE. 
Levando-se em conta estas últimas observações, gostaríamos de relatar algumas das últimas ações empreendidas pelo núcleo organizador da Unitinerante no Paraná, especialmente pela Casa Latino-americana, a Universidade Federal do Paraná (Pós graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (Pró-Reitoria de Extensão e pela Pósgraduação em Geografia) e o Instituto Federal de Educação de Paranaguá (Pós graduação em Ciências Sociais):
– Na primeira semana de fevereiro/18 estivemos fazendo uma visita-consulta à Fundação Araucária, com o Diretor-Técnico de Pesquisa Científica, Prof. Dr. Nilceu Jacob Deitos para o qual foi apresentado em power point o projeto da UNITINERANTE e o engajamento de algumas das universidades paranaenses, desde longa data, em diversas atividades da Rede Internacional Casla-Cepial, desde sua participação nos Congressos CEPIAL e em outros eventos, como dos Encontros Temáticos e de Projetos de pesquisa integrados. Destacam-se assim, com maior densidade a participação da UEPG, UNICENTRO, UNIOESTE, UNESPAR, UFPR e IFPR.  Historicamente, destaca-se ainda a importância que UEL e UEM tiveram na pedra fundamental do CEPIAL. 
Levando em conta a importância da institucionalização da proposta da UNITINERANTE, foi destacada a necessidade de contar com recursos materiais, financeiros e humanos para a implementação do projeto, com maior grau de efetividade e de internalização nas universidades (por meio da formação de núcleos multi/inter disciplinares), respondendo assim aos desafios de que uma internacionalização efetiva depende internamente do mesmo grau de efetividade, a fim de ir além de intenções genéricas. 
Neste quesito da internacionalização, os atuais projetos em andamento da UNITINERANTE já demonstram sua efetividade, a partir de ações desenvolvidas em congressos internacionais (Chile e Colômbia), com projeto editorial que envolve uma centena de pesquisadores-autores, publicados já em parceria com a Editora da UFPR (Coleção bilíngue – português/espanhol) com 6 títulos editados e com as pesquisas e intercâmbios de professores, alunos e lideranças comunitárias, principalmente com Argentina, Chile, Colômbia e México.
Assim, é fundamental um Edital que contemple o conjunto dessas atividades em Rede, a partir das Universidades paranaenses, juntamente com organizações sociais e comunitárias e a Casa Latino-americana que coordena as ações em rede. Dessa maneira, as universidades se inscrevem no Edital para compartilhar um fundo comum, de no mínimo 2 anos, renováveis, para que disponham de recursos necessários para a implementação dos projetos de pesquisa, formação e extensão em andamento e que já constituem ações locais e internacionalizadas em rede com os atuais participantes da UNITINERANTE. 


BREVE RELATÓRIO SOBRE O PROJETOS DE PESQUISA e EXTENSÃO DA UEPG, APROVADO PELO CNPq e PELA SETI-PR.

Para ilustrar como é possível implementar ações em rede, temos o seguinte relato a fazer:
Em parceria com as Universidades chilenas (Universidad de Los Lagos de Osorno, Universidad Alberto Hurtado de Santiago, Universidad Católica del Maule), o programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG, juntamente com a UFPR, UNICENTRO e IFPR, realiza dois importantes projetos de pesquisa aplicados às comunidades faxinalenses do Paraná. Complementarmente, ambos projetos favorecem o intercâmbio de alunos, professores e lideranças comunitárias locais de ambos países, além de socializar essas metodologias, seus resultados que poderão ser compartilhados (pelos intercâmbios e publicações) com os demais participantes da Rede nacional (UFMA, UEMA, UNIR, UNESC, UNIJUÍ, UNESPAR, UNICENTRO, UNIOESTE, UEL, UEM) e internacional (ARGENTINA, BOLÍVIA, CHILE, COLÔMBIA, MÉXICO).

O projeto de Pesquisa aprovado pelo CNPq (Universal 2016), intitulado ¨Das territorialidades tradicionais à territorialização da agroecologia: saberes, práticas e políticas de natureza em três comunidades rurais paranaense¨, bem como o projeto de Extensão aprovado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná (edital Universidade Sem Fronteiras, 2016), intitulado  ¨Selo Socioambiental Produtos da Agrofloresta Faxinalense: Capacitação sociotécnica e empoderamento jurídico para a inclusão social e geração de renda em comunidades rurais faxinalenses do Paraná¨, têm como objetivo geral avaliar em que medida a proposta agroecológica de desenvolvimento local pode viabilizar as territorialidades tradicionais (os modos de viver e habitar de uma dada coletividade no território) de três comunidades rurais do Paraná, a saber: o Faxinal Sete Saltos de Baixo (município de Ponta Grossa), a comunidade remanescente de quilombolas do Palmital dos Pretos (município de Campo Largo) e a Comunidade de pescadores artesanais do Guaraguaçu (município de Pontal do Paraná).

Em termos de extensão, o projeto apresenta como finalidades:

  1. Caracterização da identidade socioterritorial no que tange às formas de  adoção  e/ou adaptação ao Modelo Alternativo de Produção Agroflorestal;
  2. A criação de uma Marca de Origem geográfico-cultural de Produtos Tradicionais de Base Ecológica;
  3.  A viabilização de Circuitos Alternativos de Comercialização e de geração de renda;
Tratando-se de um processo de adoção e desenvolvimento de tecnologias sociais, a idealização do projeto destacou como factual a configuração de um complexo problema de pesquisa, configurado de variáveis de seguintes ordens:

  • ecossistêmica (as vocações produtivas e as capacidades de regeneração dos ecossistemas),;
  • sociocultural (valores substantivos e imaginários a partir dos quais reafirmam-se as práticas de solidariedade comunitária e regimes de propriedade da terra);
  • econômica (formas de exploração dos recursos, organização do trabalho e repartição do seus produtos);
  • política (a territorialização de políticas institucionalizadas de ciência, assistência e extensão rural, bem como das dinâmicas globais do capital.

Assim, das múltiplas variáveis em jogo no processo de adoção de modelos alternativos de produção e comercialização, emergirão, em última análise, (re)arranjos socioterritoriais com repercussões em nível de representações, conhecimentos e práticas de agrobiodiversidade e reprodutibilidade socioecológica.

Nesses termos, aparece como imprescindível a constituição de uma equipe interdisciplinar, capaz de dialogar e atuar em nível de rede com outros atores do território, envolvidos no projeto de desenvolvimento local, e que seja virtualmente capaz de dar concretude às seguintes ações:

a. elaboração de modelos explicativos da territorialidade tradicional e dos problemas socioambientais em nível regional;
b. elaboração de cursos e oficinas de capacitação sociotécnica em agroecologia, que inclui o empoderamento jurídico e alternativas de comercialização, em conformidade com as territorialidades doravante caracterizadas; possibilitando; 

c. a identificação dos aspectos (dimensões) mais relevantes e decisivos para a efetivação ou não desse projeto agroecológico, isto é, dos capitais socioculturais catalizadores de práticas alternativas de produção (de base ecológica), de geração de renda (dinamização da economia territorial) e empoderamento jurídico (efetivação dos direitos socioterritoriais) dos agentes comunitários. 
Em termos concretos, tais ações deverão resultar nos seguintes em processos e produtos, sintetizados em três grandes metas, para cada item acima destacado:

i) elaboração de modelos explicativos da territorialidade tradicional e dos problemas socioambientais em nível regional;



ii) elaboração de cursos e oficinas de capacitação sociotécnica em agroecologia, que inclui o empoderamento jurídico e alternativas de comercialização, em conformidade com as territorialidades doravante caracterizadas; possibilitando; 



iii) a identificação dos aspectos (dimensões) mais relevantes e decisivos para a efetivação ou não desse projeto agroecológico, isto é, dos capitais socioculturais catalizadores de práticas alternativas de produção (de base ecológica), de geração de renda (dinamização da economia territorial) e empoderamento jurídico (efetivação dos direitos socioterritoriais) dos agentes comunitários.


Fotos da Ultima Reunião com Equipe Interdisciplinar dos Referidos Projetos, realizada no dia 23 de fevereiro de 2018, na sede do Programa de Pos-graduação em Geografia (UEPG), cidade de Ponta Grossa, Brasil. Estavam presentes representantes IAP (Dra. Margit Hauer), do Ministério Público do Paraná (Dr. Saint Clair Honorato dos Santos), IFPR Litoral (Dr. Antonio Marcio Haliski), IFPR-Campo Largo (Msc. Sandra Engelmann), do MADE-UFPR (Dr. Dimas Floriani), da CASLA (Dra. Gladys de Souza Sanchez e Jocasta) e Integrantes do Grupo Interconexões-UEPG (Dr. Nicolas Floriani, Msc. Renato Pereira, Vanderlei Marinheski, Juliano Strachulski), do Programa de Pós-Graduação em Geografia-UEPG (Dr. Almir Nabozny), as técnicas do projeto da Universidade sem Fronteiras (Msc. Ronir de Fatima Rodrigues e Tamires Benki) e  a assistente social Lorena Dantas.






Por: Dimas Floriani e Nicolas Floriani
25 de fevereiro de 2018

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