RESUMO DAS ATIVIDADES DO II° ENCONTRO ACADÊMICO-COMUNITÁRIO DA UNITINERANTE:

II° ENCONTRO ACADÊMICO-COMUNITÁRIO DA UNITINERANTE: “SABERES GEOCOLÓGICOS TRADICIONAIS E DIVERSIDADE SOCIOTERRITORIAL”




O II Encontro Acadêmico-comunitário da Unitinerante[1] e XI Encontro Temático da Rede CASLA-CEPIAL[2] que ocorreu do dia 17 a 26 de agosto de 2018, teve como eixo-disciplinar[3] proposto pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia-UEPG os “Saberes Geoecológicos Tradicionais e Diversidade Socioterritorial”. Em nove dias discentes (Graduação e Pós-Graduação), docentes e comunitários percorreram três municípios paranaenses, dois deles localizados no centro-leste na região dos Campos Gerais, sendo Ponta Grossa e Campo Largo, e, no litoral, Pontal do Paraná. Estes contemplaram o itinerário do evento por conter em suas áreas rurais comunidades tradicionais, respectivamente, Faxinal (Sete Saltos de Baixo), Quilombo (Palmital dos Pretos) e Caiçara (Guaraguaçu).
Tais grupos étnicos são recorte espacial do projeto de pesquisa “Territorialidades Tradicionais às Territorializações da Agroecologia: Saberes, Práticas e Políticas de Natureza em Comunidades Rurais Tradicionais do Paraná (Chamada Universal MCTI/CNPq nº 01/2016) e do projeto de extensão “Selo Socioambiental Produtos da Agrofloresta Faxinalense: Capacitação Sociotécnica e Empoderamento Jurídico para a Inclusão Social e Geração de Renda de Populações Tradicionais do Paraná” (SETI-PR/2018).  

Tanto o projeto de pesquisa, quanto o de extensão são coordenados pelo Prof. Dr. Nicolas Floriani do Programa de Pós-Graduação em Geografia-UEPG, efetivado pelo Grupo de pesquisa – “Interconexões/UEPG”, tendo ainda como integrantes: Tanize Tomasi Alves (Pós-doutoranda), Antônio Márcio Haliski (Pós-doutorando), Cleusi Teresinha Bobato Stadler (Doutoranda), Renato Pereira (Doutorando), Vanderlei Marinheski (Doutorando) e Brenda Olinek (Graduanda em Biologia). E dentro do projeto de extensão a técnica Ronir Fátima Rodrigues. 

De forma alternativa, e, até desafiadora aos padrões acadêmicos, pela segunda vez ofertou-se a disciplina-evento nas comunidades, com a prerrogativa de nesta edição ter sido acrescido as três diferentes realidades. Uma parceria firmada pela UEPG, através do docente do departamento de Geociências, Prof. Dr. Nicolas, com a Casla-Rede-Cepial. A inserção à campo possibilitou a integração dos discentes e docentes ao ambiente cotidiano dos sujeitos das pesquisas e atividades extensionistas. Além de facilitar a participação dos sujeitos locais, e, mais do que isso ter o protagonismo dos mesmos durante o evento em que foram temática. Portanto, a programação do evento foi estruturada de forma que contemplasse as discussões acadêmico-teóricas e problemáticas/demandas comunitárias. Assim como a inclusão de atividades e práticas culturais contemplativas e valorativas dos saberes tradicionais.

Com a metodologia da observação-participante (GOFFMAN, 2012)[4], em que os pesquisadores adequam-se à captura das informações conforme o seu olhar, interagindo através do contato face a face no momento da realização das atividades, tem-se o aprofundamento e a aproximação dos sujeitos pesquisadores e estudantes com os sujeitos de suas pesquisas e estudos. Uma interação potencial ao diálogo mais eficaz e direcionado às problemáticas locais, uma vez que os sujeitos que de fato vivenciam as realidades podem expor outras perspectivas e argumentos sobre as mesmas.

Também adota-se conforme Pereira (2018) o procedimento metodológico da pesquisa-ação. Esta de acordo com Thiollent (1985, p. 14)[5] é:

[…] Um tipo de pesquisa social que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação da realidade a ser investigada estão envolvidos de modo cooperativo e participativo.

Coloca-se esta metodologia, pois as práticas e atividades dos projetos de pesquisa e extensão que perpassaram o evento, visam mais do que o levantamento de informações, mas a reestruturação e melhoramento dos sistemas produtivos; valorização da produção; organização e ampliação da comercialização dos excedentes. Durante o evento algumas práticas foram direcionadas para estes fins.

Para Pereira (2018) tanto a justificativa do projeto, quanto à abordagem agroecológica a partir dos sujeitos das comunidades tradicionais no evento, encontra ressonância em Altieri (1998)[6], quando ressalta que o enfoque da agroecologia deve ser ao agricultor que possui menor acesso aos insumos tecnológicos e poucas relações com o mercado, como uma estratégia para o desenvolvimento rural sustentável.

Este relatório constituiu-se por trechos dos relatórios de campo dos alunos do Programa de Pós-Graduação em Geografia-UEPG[7], Fábio Martins, Cleusi Bobato Stadler e Renato Pereira, que experenciaram a prática de campo, nestes ambientes distintos.

A seguir Stadler (2018) nos expõem que a abertura do evento no Faxinal de Sete Saltos de Baixo, no dia 18 de agosto de 2018, com a ressalva de um percentual baixo de participantes acadêmico-comunitário inferiu na alternância da metodologia das “oficinas participativas” – moradores das comunidades, discentes e docentes –, com a inclusão da fala expositiva-ilustrativa.

Na exposição teórico-prática teve-se no Faxinal Sete Saltos de Baixo a abordagem de três temáticas: “Etnopedologia e Manejo da Fertilidade dos Solos (Vanderlei Marinheski – Doutorado/UEPG)”, “Agrobiodiversidade – “Sementes Crioulas” e Práticas Culturais dos Faxinalenses e Quilombolas (Cleusi Bobato Stadler-Doutorado/UEPG)” – destaca-se a exposição do banco de sementes[8] -, e Agrobiodiversidade e Sistema Agroflorestal (Margit Hauer-IAP)” (Fotos 01 e 02). Também fez-se uma exposição de fotos dos sujeitos da pesquisa, registros estes realizados por uma das integrantes do Grupo Interconexões-UEPG durante os trabalhos de imersão à campo (TOMASI, 2018). E uma apresentação sobre o projeto do selo faxinalense, com destaque para alguns resultados e homenagem póstuma a um líder faxinalense de uma comunidade vizinha (GONÇALVES, 2018).



Fotos 01 e 02 – Oficinas Teórico-práticas na Comunidade Faxinalense Sete Saltos de Baixo-Ponta Grossa/PR
Fonte: Stadler, 2018.


Todavia, segundo Stadler (2018) destaca-se durante as Oficinas as práticas culturais. Em uma delas a faxinalense Srª Jesuvina Chagas Ferreira, de 69 anos, moradora do local há mais de 25 anos, demonstra a tradição de socar a erva-mate no pilão, uma atividade que realiza todos os anos em sua propriedade (Foto 03). Ela corta a erva-mate, seca no forno de barro e soca no pilão, de modo artesanal e tradicional. E a prática da “Paçoca de carne” no pilão, apresentada pela família Chagas, onde se coloca a carne de porco salgada junto a farinha de milho e vai socando até formar a paçoca (Foto 04).






Fotos 03 e 04 – Práticas tradicionais executadas por faxinalenses na Comunidade Sete Saltos de Baixo – Ponta Grossa/PR
Fonte: Stadler, 2018.

Stadler (2018) evidencia a exposição de produtos faxinalenses para comercialização com os participantes do evento. Destaca-se entre a produção: a erva-mate, o mel e artesanatos de taquara e fibras. Apresentações artísticas musicais com sanfona, violão e sino foram realizadas pelos faxinalenses e quilombolas.



Foto – Apresentações Artísticas na Comunidade Sete Saltos de Baixo. Ponta Grossa/PR
Fonte: Floriani, 2018.

De acordo com Pereira (2018) no segundo dia de evento, 19 de agosto de 2018, vivenciou-se a atividade de visita à propriedade familiar agrícola dos Marques – localizada na comunidade rural de Sete Saltos de Cima (Ponta Grossa-PR) –, o almoço comunitário e a etnocaminhada na Comunidade Quilombola Palmital dos Pretos.

Na primeira atividade, observa-se os resultados dos primeiros anos de transposição de uma agricultura convencional para os moldes teórico-práticos da agroecologia. Teve-se in loco a fala e demonstração de alguns termos e técnicas de manejo do sistema produtivo agroecológico pelo estudante de Tecnologia em Agroecologia do IFPR, Leandro Miguel Schepiura. Nesta ocasião além da caminhada pelo agroecossistema, identifica-se a agrobiodiversidade existente, diante do histórico da mesma e o pouco tempo de inserção às novas práticas agrícolas. Também pode-se acompanhar a poda de bananeira, observar a troca de sementes crioulas entre os sujeitos comunitários e a coleta de exemplares por integrante do Grupo Interconexões-UEPG para o banco de sementes do projeto.
Já na Comunidade Quilombola Palmital dos Pretos, a partir do meio dia, conforme Pereira (2018) realizou-se o almoço comunitário, ofertado pelos quilombolas com produtos locais, como o arroz, o feijão e o frango caipira. Após o término deste, efetivou-se a etnocaminhada, caminhada guiada pelo quilombola Sr. Alceu Carneiro, cujas práticas e atividades diárias demandam muito conhecimento da mata, demonstrada nesta ocasião. Escolheu-se a mata próxima a estrada principal, onde todo o grupo pode adentrar e ter contato com os saberes vernaculares deste sujeito quilombola. Ele identificou espécies vegetais, seu uso doméstico e medicinal, como por exemplo o Cipó-mil-homens. Nesta ocasião observou-se ainda os remanescentes dos antigos caminhos presentes na mata.

Na comunidade quilombola a programação possibilitou a visita à propriedade do líder, Arildo Moraes de Portela, cuja implantação iniciou-se neste ano, alguns meses antes das primeiras atividades do Grupo de Pesquisa, desta forma acompanha-se a construção das benfeitorias e do sistema produtivo. Este mescla técnicas vinculadas aos saberes tradicionais e agroecológicos, visto que, adquiriu conhecimentos teóricos cursando um período do curso de Tecnologia em Agroecologia pelo IFPR. Na Comunidade adquiriu-se sementes crioulas e de adubo verde.

Do dia 21 a 23 de agosto de 2018, o evento seguiu com programação em Curitiba, na Casla, destacando então, a proposta da Unitinerante, e assim fez-se a presença dos sujeitos destas comunidades neste ambiente, além de lideranças de outros grupos étnicos. E também a participação de Pró-reitores de Universidades públicas, Secretário de Ciência e Tecnologia e Fundação Araucária do Paraná, Ministério Público do Paraná, Defensoria Pública Federal, Núcleo especializado da Infância e Juventude, Instituto Ambiental do Paraná, organizações e movimentos sociais.

Durante estes três dias segundo Stadler (2018) debateu-se os seguintes temas: Jornada Direitos Humanos e Migrações; Jornada Direitos Humanos; Violência e Situação Prisional: desafios para o Brasil e Argentina; Organizações Comunitárias: experiências de diálogo com poder público e academia; Saberes Geoecológicos Locais e Diversidade Socioterritorial: experiências acadêmicas nacionais. E ainda, nesta ocasião segundo Martins (2018) firmou-se parcerias em apoio ao projeto da Unitinerante, com diversas instituições e autoridades representativas.

Na Casla também pode-se realizar a “1ª Feira de Sabores e Sementes”, as sementes e produtos coletados nas comunidades, deram-se em períodos anteriores, durante as atividades de pesquisa do Grupo Interconexões-UEPG. Efetivou-se a comercialização da produção das três comunidades tradicionais ao qual o evento foi ambientado e de agricultores familiares da comunidade Sete Saltos de Cima, vizinha ao quilombo e faxinal que também são foco do projeto de pesquisa e extensão (Figura 02). Além deles comercializarem seus produtos diretamente ao consumidor, nesta ocasião os sujeitos comunitários oportunizaram a exposição de saberes-fazeres (Foto 08) através das oficinais de práticas culturais com a confecção da canjica com cinza no pilão (PEREIRA, 2018) e a confecção de cuia em porongo e a bomba de bambu, posteriormente, com o material pronto os participantes constituíram uma roda de chimarrão (MARTINS, 2018).








Foto –  1ª Feira de Sabores e Sementes da Unitinerante
Fonte: Pereira, 2018.


Dentro da metodologia das oficinas culturais Pereira (2018) enfatiza a importância deste saber-fazer tradicional fundamentada no argumento de Clarindo e Floriani (2014)[9], em que as comunidades constituem-se de territorialidades a partir da sua relação de ocupação coletiva e de subsistência com a terra, dos laços de parentesco e de compadresco, pela sua ancestralidade, pelas suas  tradições simbólico-culturais e pelos rituais e saberes vernaculares, como a reza cantada, as moradias de barro e cobertura de capim (casas de sapê), o uso do pilão, o conhecimento da flora e da fauna e a agricultura de subsistência.




Foto 08 – Sujeitos das comunidades tradicionais socando canjica na cinza
Fonte: Pereira, 2018



O evento no ambiente da Casla de acordo com Martins (2018) contou ainda com diversas apresentações de poesias do Grupo Rios Florestas e Violas do Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento/UFPR. Assim como, a fala da sua presidente Drª. Gladys de Souza, que realizou um discurso sobre a Logomarca da UNITINERANTE. A vinculação a um trem sobre trilhos carrega o lema “Que nos Callen Los Trenes” para conceber a luta dos povos da América Latina como um convite a resistir.





Outro ato que marcou as atividades no Evento na CASLA foi a assinatura da instalação do “Projeto Unitinerante: Universidade Itinerante dos Direitos Humanos e da Natureza, pela Paz e pelo Bem Viver por parte de diversas autoridades do poder público, de universidades e organizações sociais (figura abaixo). A solenidade de assinaturas contou com o Prof. Dr. Ricardo Marcelo Fonseca (Reitor da UFPR), Dr. Mario Cândido de Athayde (SETI-PR), do Deputado Estadual Dep. Estadual Péricles Holleben de Mello (ALEP), Dr. Olympio de Sá Sottomaior Neto (Ministério Público do Paraná), de Pró-reitores da UEL, UEM, UNICENTRO, UNIOESTE, Prof. Dr. Nilceu Jacob Deitos (Fundação Araucária), professores da UNIJUí, UNESC, ASIAKG, If’pr-Paranaguá, Dra. Gladys Souza Sanchez (CASLA), Profa. Dra. Marilisa do Rocio Oliveira (Proex, UEPG), Prof. Dr. Nicolas Floriani (UEPG), Prof. Hermes Silva Leão (Presidente APP-Sindicato PR), Prof. Dr. Nilceu Jacob Deitos (Fundação Araucária), Prof. Dr. Daniel Cenci (UNIJUÍ), Profa. Dra. Irene Carniatto (UNIOESTE), Prof. Dr. Geraldo Milioli (UNESC), Prof. Dr. Antonio Haliski (IFPR – Paranaguá), Prof. Dr. Ancelmo Schörner (UNICENTRO – Irati), Dr. Olympio de Sá Sottomaior Neto (Ministério Público do Paraná), Dra. Ivete Caribe (CASLA-Jur.), Dr. Fernando Redede Rodrigues (Núcleo Especializado da Infância e Juventude), Dra. Carolina Balbinot (Defensoria Pública Federal), Prof. Ualid Rabah – Diretor de Relações Institucionais – Federação Árabe Palestina do Brasil, Dra. Tatyana S. Friedrich (Projeto Refúgio, Migrações e Hospitalidade – UFPR), Dra. Isabel Kugler Mendes (Presidente Conselho da Comunidade – Curitiba), Dr. Luis González (Comisión de Prevención de la Tortura Misiones, Argentina), Profa. Dra. Joseli Maria Silva (UEPG), Dra. Elizabete Subtil de Oliveira (Coord. do Conselho da Comunidade  Curitiba), Prof. Dr. Leandro Franklin Gorsdorf (UFPR), Profa. Dra. Mara Solange Gomes Dellaroza (Pro-Reitoria de Extensão da UEL), Ms. Taíza Lewitski  (MASA, Benzedeiras), Cacique Irineu Rodrigues – Pontal do Paraná, Faxinalense Acir Tulio – Marmeleiro de Baixo (IN MEMORIAM), Quilombola Arildo Portela – Palmital dos Pretos, Caiçara Conceição Vieira Ramos – Pontal do Paraná, Ms. Ronir Fátima Rodrigues  (Interconexões, UEPG), Dra. Gioconda Mongelós (CASLA), Márcio Kokoj – Arpinsul – Comunidade Indígena Kaingang de Mangueirinha – PR, Suzy Gakoj Tomaz – Comunidade, Indígena Kaingang de Nova Paranheiras, Rio das Cobras, Michele Santos da Silva – Mundurucus Amazônia, Belarmina Luiz Paraná – Presidente das Mulheres Indígenas do Paraná (In Memorian), Ambrósio Luiz Paraná – Lider de Terra Indígena, Manguerinha, Paraná, Cacique Carlos Santos – Aldeia Kakane-Porã-Fazenda Rio Grande, Laércio Araçai e Olívia Araçai – Aldeia Kakane-Porã – Faz. Rio Grande, Leandro dos Santos – Aldeia Kakane-Porã- Faz. Rio Grande, Licínio  Cordeiro – Aldeia Terra Indígena Faxinal de Cândido de Abreu, Prof. Dr. Ezequiel Westphal (IFPR, Paranaguá), Prof. Dr. Antonio Haliski (IFPR-Paranaguá),  Dr. Saint Clair Honorato dos Santos (Ministério Público, PR), Dra. Margit Hauer  (IAP), Dr. Luis Alexandre Gonçalves Cunha (IESOL, UEPG), Grupo de Pesquisa Interconexões (UEPG).






O último ambiente do evento, no período de 24 a 26 de agosto de 2018, deu-se na Comunidade Caiçara de Guaraguaçu, em Pontal do Paraná. Na abertura do evento neste, teve-se a participação de representantes de instituições públicas, o Prefeito e o Presidente do Paraná Turismo, e, docentes, Prof. Dr. Antônio Haliski/IFPR-Litoral.  Ainda, de acordo com Martins (2018) durante a cerimônia ressalta-se a importância da reativação da associação local, já que por um período de dez anos esteve desativada.




Pelo Prof. Dr. Antônio Haliski, coordenador das atividades de pesquisa nesta comunidade, teve-se a apresentação do selo comunitário, por uma simbologia de autoindentificação caiçara. Esta vai de encontro a valorização de produtos locais como estratégia de fortalecimento e desenvolvimento comunitário. Portanto, a arte do selo, contempla importantes aspectos da cultura caiçara como: as plantas medicinais, antúrios e as cattleyas. Também a apresentação artística Fandango com o instrumento rabeca pelo Mestre Aoreleo Domingues.


Oficinas participativas foram ofertadas, como a de bambu artesanal (Foto 09) – por Wilson Rubens/Instituto de Permacultura Ecovia São Miguel -, e a de fibras de bananeira. Ambas potencializaram o uso de materiais locais, e, a diversidade de adereços e peças que podem ser feitas com uma única matéria prima.





Fotos 09 e 10 – Oficina de bambu e Visita Guiada ao Sambaqui Guaraguaçu
Fonte: Stadler, 2018.

Visitou-se segundo Martins (2018) a aldeia Guarani e ao sambaqui Guaraguçu (Foto 10), vizinhos a esta comunidade, uma visita guiada. Além da contemplação no sopé do sambaqui[10], pode-se observar o remanescente de um forno de cal, utilizado na década de 1960 para a extração de material dos sambaquis e fabricação de cal para a pavimentação de rodovias. Outra visita guiada deu-se pela caiçara Srª Tereza Sales Bitencourt, pela sua propriedade, as margens do rio Guaraguaçu. Sua fala expôs o resgate de memórias relacionadas as práticas do pai com as espécies de plantas nativas e seus benefícios medicinais. O encerramento do evento contemplou o café caiçara na casa da Srª Conceição Ramos Constante com o típico bolinho de banana.

Portanto, cabe ainda, o apontamento de Stadler (2018) que o mais importante destes dias de evento acadêmico-comunitário nas três comunidades tradicionais – Faxinal, Quilombo e Caiçara –, as vivências das práticas cotidianas e festivas em torno da religião, alimentação, economia, cultura em geral possibilitou a percepção de outros significados e abordagens para temáticas que perpassam, entrecruzam tais grupos étnicos paranaenses. E mais do que isso, conhecer os espaços pelos sujeitos sociais que de fato constroem suas espacialidades. O evento permite valorizar a prática de campo e a metodologia da observação-participante, da pesquisa-ação, tão enriquecedoras das pesquisas. De fato, a Universidade esteve no campo, os sujeitos pesquisadores e estudantes dialogaram com os sujeitos pesquisados e esta aproximação e nivelamento deixa o caminho aberto para outras ocasiões de trocas e saberes tradicionais e acadêmicos para problemáticas sociais que forem surgindo.

Toda a equipe do Grupo de Pesquisa Interconexões-UEPG agradece imensamente a recepção e participação dos sujeitos das comunidades paranaenses de Sete Saltos de Baixo (Ponta Grossa), Palmital dos Pretos (Campo Largo) e Guaraguaçu (Pontal do Paraná).


Por Tanize Tomasi Alves, Pós-Doutoranda-PPG/UEPG
Fábio Martins, Mestrando PPG/UEPG
Cleusi Bobato Stadler, Doutoranda PPG/UEPG
Renato Pereira, Doutorando PPG/UEPG


________________________________________


[.1]
 [1]
 Projeto Universidade Itinerante dos Direitos Humanos, da Natureza, pela Paz e Bem Viver da Casa Latino-Americana (Casla), uma proposta de atividades acadêmico-comunitária em rede, envolvendo universidades, organizações, movimentos sociais e instituições públicas. Para mais informações ver www.calsa.com.br.
[2] A rede internacional CASLA-CEPIAL (Semeando Novos Rumos – Sembrando Nuevos Senderos) surge a partir do III CEPIAL, em julho de 2012, na cidade de Curitiba, Paraná, Brasil, aproximando organizações sociais, instituições acadêmicas e outras instâncias do poder público, no âmbito de América Latina e Caribe – mas aberta também a outras regiões e continentes – e busca fortalecer o diálogo e ações conjuntas que visem o apoio ao desenvolvimento sustentável e à ampliação da participação democrática e da preservação dos direitos coletivos de sociedades e povos que vivem em situações de vulnerabilidade social (BLOG REDE CASLA-CEPIAL, 2018).
[3] Disciplina optativa ofertada sob coordenação do Prof. Dr. Nicolas Floriani e pelos Pós-Doutorandos Profª. Drª. Tanize Tomasi Alves e Prof. Dr. Antônio Márcio Haliski pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa.
[4]  GOFFMAN, Erving. Os quadros da experiência social: uma perspectiva de análise. Petrópolis: Vozes, 2012.
[5] THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez,1985.
[6] ALTIERI, Miguel Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 4ed. Porto Alegre: UFRGS, 1998.
[7] Relatório de campo como requisito final para a obtenção da aprovação na disciplina de Saberes Geoecológicos Tradicionais e Diversidade Socioterritorial, do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG, sob a responsabilidade do Prof. Dr. Nicolas Floriani, Profª. Drª. Tanize Tomasi Alves e Prof. Dr. Antônio Márcio Haliski.
[8] O banco de sementes constitui-se em uma das etapas e resultados do Projeto de Pesquisa Territorialidades Tradicionais às “Territorializações da Agroecologia: Saberes, Práticas e Políticas de Natureza em Comunidades Rurais Tradicionais do Paraná (Chamada Universal MCTI/CNPq nº 01/2016).
[9] CLARINDO, Maximillian Ferreira; FLORIANI, Nicolas. As particularidades da reprodução do patrimônio cultural da comunidade quilombola de Palmital dos Pretos, Campo Largo – PR.  Terr@Plural, Ponta Grossa, v.8, n.2, p. 423-443, jul/dez. 2014.
[10] Tais sítios podem se originar de diferentes formas/funções de ocupações, alguns concentram estígios de habitação e outros de cemitérios. A riqueza dos sambaquis no litoral do sul brasileiro apresenta uma ampla riqueza de vestígios histórico-culturais e somente no litoral paranaense possui 322 sítios catalogados cabendo ressaltar que as comunidades ajudam muito em sua preservação.

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